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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Polícia pedirá laudo com leitura labial de gremistas suspeitos de injúria racial

Exame pode fornecer prova contra torcedores que ofenderem Aranha. 

Goleiro do Santos denunciou ofensas racistas em jogo contra o Grêmio.

Estêvão Pires
Do G1 RS
racismo selo grêmio aranha  (Foto: Reprodução/ESPN)
Gestos podem servir de prova material contra os
torcedores, diz polícia(Foto: Reprodução/ESPN)
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul planeja obter nos próximos dias uma prova material considerada fundamental no inquérito sobre as agressões racistas contra o goleiro Aranha, durante a partida entre Grêmio e Santos, na semana passada, pela Copa do Brasil. Peritos devem fazer uma análise de leitura labial dos torcedores flagrados por câmeras de TV ofendendo o jogador.
De acordo com a 4ª Delegacia de Polícia dePorto Alegre, responsável pelo caso, ainda não é possível, por exemplo, afirmar técnicamente que a torcedora Patrícia Moreira, que aparece nas imagens, usou o termo “macaco” para ofender o jogador. Caberá ao Instituto-Geral de Perícias (IGP), analisar as jovens e comprovar a injúria.
O tipo de análise, porém, é considerado raro pelo diretor de criminalística do IGP, Antônio Xavier. “Laudos de leitura labial não são comuns. A polícia não costuma protocolar esse tipo de pedido”, disse ele ao G1. Segundo Xavier, o órgão conta com três fonoaudiólogas capacitadas para esse tipo de exame.
Na lista de imagens em posse da polícia estão um vídeo de mais de uma hora fornecido pelo Grêmio. Além disso, agentes da 4ª Delegacia receberam imagens registradas pela imprensa, incluindo o momento em que Patrícia gritava para o goleiro Aranha. Relatos de torcedores, orientadores, seguranças e de fontes anônimas, que telefonaram para registrar denúncias via telefone, também fundamentam a investigação.
No total, oito mandados de intimação para depoimentos já foram expedidos para torcedores. Dois deles foram notificados na quarta (3). Até agora, cinco já prestaram esclarecimentos, três deles na quarta-feira (3). Na manhã desta quinta (4), Patrícia Moreira deve ser a próxima. Ela é investigada pelo crime de injúria racial, que prevê pena de um ano a três anos de prisão, além de multa. .

A jovem mostrada pelas imagens do canal ESPN foi afastada do trabalho no Centro Médico e Odontológico da Brigada Militar. Patrícia Moreira era funcionária de uma empresa terceirizada e prestava serviços de auxiliar de odontologia na clínica da polícia militar gaúcha. As imagens da torcedora ofendendo o goleiro santista começaram a circular pelas redes sociais logo após a partida. Aranha registrou boletim de ocorrência na 4ª Delegacia de Polícia na sexta (29).Entenda o caso
incidente no jogo entre Grêmio e Santos, na Arena do Grêmio, ocorreu aos 42 minutos do segundo tempo, quando Aranha reclamou com o árbitro Wilton Pereira Sampaio, alegando ter sido vítima de xingamentos por parte da torcida. O juiz mandou a partida seguir, mesmo sendo alertado por jogadores do Santos dos incidentes que ocorriam fora de campo.

Diante da repercussão, Patrícia evitou dormir em casa nos últimos dias. Ela se refugiou em residências de parentes e amigos para evitar retaliação. Pedras foram jogadas em direção a sua casa na noite de sexta-feira. O G1 visitou a região na tarde de sábado e ouviu os vizinhos.Amigos negros da menina de 23 anos garantem que ela não é racista.
As injúrias raciais proferidas por torcedores gremistas contra o goleiro tiveram outros desdobramentos na esfera desportiva. Em julgamento na quarta-feira (3), o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) decidiu, por unanimidade, exclur o Grêmio da Copa do Brasil. No primeiro duelo das oitavas de final do torneio, os paulistas bateram os gaúchos por 2 a 0. O jogo de volta já havia sido suspenso até o julgamento do caso no STJD.

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