terça-feira, 17 de maio de 2016

Após ser preso, ex-BBB é levado para penitenciária na Região de Curitiba


Laércio de Moura é suspeito de estupro de vulnerável e foi preso em Curitiba. 

Ele ficará em uma cela isolada até ser transferido para presídio da capital.

Adriana Justi
Do G1 PR
Laercio deve ficar na Casa de Custódia de Curitiba (Foto: Adriana Justi e Divulgação)Laercio deve ficar na Casa de Custódia de Curitiba (Foto: Adriana Justi e Divulgação)












 O ex-BBB Laércio de Moura, que foi preso na segunda-feira (16) por suspeita de estupro de vulnerável, foi levado na manhã desta terça-feira (17) para a Casa de Custódia de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba.
Ele deu entrada no local por volta das 9h30 para identificação e ficará em uma cela isolada até o período da tarde, quando deverá ser transferido em definitivo para a Casa de Custódia de Curitiba. As informações foram repassadas ao G1 pelo Departamento de Execução Penal do Estado do Paraná (Depen).
O ex-BBB prestou depoimento no Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria) na tarde de segunda e passou a noite no Centro de Triagem da Polícia Civil, na região central da capital. A prisão de Laércio é preventiva, portanto, não há prazo para que ele seja liberado.
Segundo a delegada Daniela, as investigações apontaram que Laércio manteve uma espécie de "relacionamento" com uma adolescente quando ela tinha 13 anos. A garota, de acordo com a delegada, hoje tem 17 anos e confirmou a suspeita.
A defesa dele, representada pelo advogado Ronaldo Manoel Santiago, argumentou que a acusação é infundada. " A acusação é infundada porque ele é acusado de praticar estupro de menor vulnerável e ele mal conhece essa menina. Só tiveram amizade virtual, nada ultrapassou do campo virtual. Não teve conjunção carnal”, afirmou Santiago.
O advogado afirmou ainda que a menina mentiu dizendo que era maior de idade. Santiago afirma que a garota e Laércio só se encontraram uma vez, quando se conheceram, e depois se adicionaram em uma rede social mantendo uma relação de amizade.
Crime x investigação
A jovem foi localizada pelas investigações e esteve na delegacia. "Essa vítima veio até a delegacia e confirmou o relato e as denúncias. Ela confirmou que se relacionou com ele quando ainda tinha 13 anos de idade, e que ele forneceu bebida alcoólica para ela, o que caracteriza outro crime", disse Daniela Andrade.

"A lei presume a violência quando um maior de idade se relaciona com uma criança ou adolescente menor de 14 anos”, explicou a delegada.
A adolescente e o ex-BBB se conheceram em um evento público em Curitiba e, conforme a investigação, ele começou a mandar mensagens para a garota. A família dela não tinha conhecimento do que ocorria até o momento em que a polícia procurou a vítima.
O "relacionamento" teria durado três anos, e a investigação contou com diligências no interior do estado, ainda de acordo com a delegada Daniela.
Segundo ela, a partir do momento em que Laércio apareceu no reality show, surgiram diversas denúncias contra ele.
Durante o programa, o ex-BBB afirmou que gostava de se relacionar com meninas mais novas. "Só aparecem novinhas mesmo, tipo 17, 18, 20", disse Moura em 21 de janeiro durante conversa com a ex-BBB Ana Paula. A fala, de acordo com a polícia, deu início à investigação, que foi solicitada pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR).
Prints de conversa do ex-BBB com a vítima em redes sociais são usados na investigação.
Ex-BBB Laércio de Moura foi preso durante uma operação do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria) (Foto: Reprodução)
Ex-BBB Laércio de Moura foi preso na segunda-feira
(Nucria) (Foto: Reprodução)
Polêmica
A prisão do ex-BBB Laércio levantou a polêmica da culpabilização da vítima. "Nós temos uma cultura que coloca a mulher não como um ser de direitos, mas como objeto de desejo do homem", afirmou a advogada Sandra Lia Barwinwki, que atua na Comissão de Estudos sobre Violência de Gênero da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Paraná (OAB-PR).

Para a advogada, o país vive um "ranço machista e sexista da legislação que vem do Código Penal de 1940". À época, apenas a mulher considerada honesta, como previa a lei, era vítima de estupro, explicou. "De lá pra cá tivemos mudanças: tirou-se a mulher honesta e o estupro deixou, em 2009, de ser crime contra os costumes e passou a ser um crime contra a dignidade sexual".
"Ter conjunção carnal ou praticar ato libidinoso com menor de 14 anos é estupro de vulnerável. Vulnerável é ser passível de lesão, não entender de forma plena o ato. A lei não dá margem para discussão. Eu tendo pela vulnerabilidade absoluta", afirmou a advogada.
A jornalista e militante feminista Vanessa Prateano, que é pesquisadora na área de violência de gênero e criadora do Coletivo de Jornalistas Feministas Nísia Floresta, também acredita que a culpabilização da vítima é consequência da misoginia, que se caracteriza pelo ódio ou aversão às mulheres.
"Culpa-se a mulher pela violência que ela mesma sofreu e isenta o homem de suas responsabilidades. É algo muito comum, é um pensamento milenar, que demonstra o pouco valor que a vida e a segurança das mulheres possuem aos olhos da sociedade. Chamamos esse ato de culpabilizar a mulher pela própria agressão de 'revitimização', pois com essa atitude de descrédito ela é novamente agredida e vitimizada, desta vez por todos e todas nós – seja quando não acreditamos no seu depoimento, quando a tratam mal numa delegacia, quando a colocamos como responsável pelo que sofreu", explicou Vanessa.
A pena prevista para estupro de vulnerável é de 8 a 15 anos de prisão. Quando houver lesão corporal de natureza grave junto com o estupro de vulnerável, a pena é de 10 a 20 anos de reclusão; e se resultar em morte, são de 12 a 30 anos de prisão.

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