POR Arnold Coelho Jornalista MTB 0006446/BA
Quero iniciar este texto deixando claro que não tenho problema algum com festa. Pelo contrário, acho necessário comemorar aniversários, conquistas e momentos especiais. O que não aprovo são festas caras, com cachês milionários, para agradar financeiramente meia dúzia de empresários, bandas e grandes cervejarias.
Por mais tradicional que seja o Carnaval no Brasil, e por mais que a indústria do entretenimento sustente o discurso de que gera emprego e renda para milhares de pessoas, continuo repetindo: isso é “pão e circo” (panem et circenses), expressão da Roma Antiga, quando o império distribuía alimento e promovia espetáculos para distrair o povo em tempos de crise.
Dar pão e circo é uma estratégia antiga. E, assim como funcionava na Roma Antiga, continua funcionando no Brasil. Distribuem-se migalhas, oferece-se entretenimento “gratuito”, enquanto os problemas estruturais permanecem intocados.
Apesar de reconhecer sua tradição cultural, eu preferiria ver menos investimentos no carnaval e mais recursos direcionados à educação, à saúde, à moradia e, principalmente, ao meio rural, com incentivo real à agricultura familiar. Um país rico é um país sem fome.
O investimento em grandes festas é excelente para bandas, artistas de cachês milionários e para a poderosa indústria do entretenimento, especialmente as cervejarias, que faturam cifras astronômicas a cada ano. Enquanto isso, a realidade da maioria da população pouco muda.
Na Quarta-feira de Cinzas, o povo volta à realidade nua e crua, com dívidas acumuladas, cartões de crédito estourados e um ano inteiro de trabalho pela frente para pagar o que foi gasto, muitas vezes sem planejamento.
O mais preocupante é que o ciclo se repete anualmente. A diversão vem primeiro; a conta chega depois. E, no fim, resta correr atrás de soluções, pedir ajuda divina e reorganizar o orçamento.
Mas o importante (dirão alguns) é que corremos atrás do trio elétrico, vestimos belos e caros abadás, desfilamos em escolas de samba, “bebemos todas” e vivemos intensamente os cinco dias de folia. As dívidas que esperem. Viva o Carnaval!
Arnold Coelho
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