CÂMARA DE IBICARAÍ

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domingo, 18 de setembro de 2011

Silagem de colostro pode substituir o leite na alimentação dos bezerros

Pesquisadores desenvolveram uma técnica para armazenar o leite produzido pela vaca nos primeiros dias após o parto.

Do Globo Rural
Quem cria gado sabe: logo depois de parir, a vaca produz o colostro, primeiro alimento do bezerro, cheio de nutrientes e anticorpos que garantem a sua imunidade, um tipo de vacina natural.
O leite mantém características desse colostro até o sexto dia de lactação. É um leite de transição. Nesse período, ele não pode ser comercializado e o bezerro recém-nascido nem sempre dá conta de mamar tudo que a mãe produz.
No caso de animais de alta produtividade, acaba sobrando muito colostro, e como ele não pode ser vendido, muitas vezes o produtor acaba jogando fora essa substância que é tão rica em nutrientes.
Pensando em acabar com esse desperdício, e ainda diminuir custos, os pesquisadores criaram um jeito de armazenar o colostro e usá-lo na alimentação dos bezerros.
O método é simples e foi desenvolvido no Rio Grande do Sul. Mara Saalfeld, veterinária, extensionista da Emater, primeiro tentou armazenar o colostro em latões de leite convencionais, mas não funcionou. Depois, decidiu fechá-lo em garrafas pet e armazenar. “Após um ano e meio eu tive coragem de abrir a primeira garrafa. O produto estava excelente”, conta Saalfeld.
O produto recebeu o nome de "silagem de colostro" e foi visto como uma alternativa vantajosa para o criador. “O produtor precisa de leite para alimentar um bezerro, não tem substituto, até pelo menos 60 dias. Então o produtor deixa de vender o leite, para alimentar essa bezerra. A partir do momento que ele substitui pela silagem de colostro esse leite é vendido e esse lucro é computado como lucro total”, declara a veterinária.
O experimento de campo da veterinária da Emater despertou o interesse de uma série de instituições de pesquisa, que passaram a estudar a silagem de colostro para atestar cientificamente sua eficácia. Dentre elas, o Instituto de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Minas Gerais, que fica em Montes Claros, região norte do estado.
Tomando sempre os cuidados necessários com a higiene na hora da ordenha, desde 2009, alunos e professores do curso de zootecnia, coletam todo o colostro excedente para fazer a silagem.
O primeiro passo é esterilizar muito bem todas as garrafas, lavando com detergente neutro e enxaguando com água bem quente ou clorada. As tampinhas são deixadas de molho em água fervente. “Se não tiver muito cuidado com a higiene, ao invés dos microorganismos importantes para a silagem, vão crescer microorganismos indesejáveis, o que pode causar diarréia, ou alguma outra doença nos animais”, alerta a zootecnista Luciana Geraseev.
Na boca da garrafa limpa e seca, além de funil, eles colocam também uma peneira, para não passar nenhuma partícula indesejável, e enchem.
Antes de fechar, uma apertadinha para tirar todo o oxigênio e ao mesmo tempo deixar um espaço para a dilatação da garrafa. “As bactérias que vão fermentar esse material elas sobrevivem num meio sem oxigenio, então se a gente deixar o oxigênio vai apodrecer o material, porque vai ter um tipo de bactéria que não é aquela que a gente necessita para que ocorra uma fermentação ideal”, comenta Rafael Azevedo, zootecnista - mestrando da UFMG.
As garrafas são identificadas e colocadas em qualquer lugar longe da luz solar. Depois de 21 dias, em média, a silagem está pronta. “Normalemnte depois de 21 dias a garrafa já começa a ter uma divisão de três fases. É quando o perfil de fermentação já estaria ideal. Na parte de cima, a concentração gordura, depois o soro, e embaixo a parte mais sólida que é a proteína”, explica Rafael.

A professora Luciana atenta para a importância da identificação da garrafa. Colostro de quinto ou sexto dia, tem menor concentração de sólidos. “Se o bezerrinho tomar só o colostro do terceiro dia, ele vai ter mais proteina mais gordura, do que um bezerrinho que tomar a do quinto dias, então o que eu devo fazer? Misturar”, alerta.
Testes de laboratório revelaram que a silagem feita com o colostro do primeiro e do segundo dia tinha muita contaminação. “Observamos que, mesmo em uma diluição muito elevada, o colostro tinha uma alta contagem de microorganismos, que são coliformes, agentes de diarréia em bezerros, por exemplo. Então a silagem, mesmo depois dos processos, não matou essas bactérias, nem fungos e leveduras, que apareceram em alta contagem. E das bacteria que a gente deseja, que são os lactobacilos, a contagem foi baixa. Não serve pra gente, esse colostro deveria mesmo ir para um banco de colostro”, orienta Eduardo Duarte, veterinário e professor de microbiologia.
O negócio é congelar o excedente do colostro do primeiro e do segundo dia e fazer a silagem com o material do terceiro ao sexto dia de lactação. Para dar aos bezerros, basta diluir em água morna.
“A proporção de 50, 50. São oito litros de preparo, para aleitar quatro bezerros. Quatro de silagem, e quatro de água morna. Isso é feito pela manhã e à tarde”, explica Luciana Geraseev. A professora mexe bastante pra deixar a mistura bem homogênea.
Os bezerros do experimento já estão plenamente adaptados a silagem de colostro. Eles já mamam com vontade. “O bezerro mais novo daqui já está há 20 dias tomando silagem de colostro. Mas no começo eles num não aceitam a silagem tão bem. A silagem é ácida, ela não é doce como o sabor do leite. Então, temos que fazer com que o animal se acostume ao sabor da silagem. O processo de adaptação é feito da seguinte maneira: no primeiro dia que ele vai receber essa silagem, usamos uma parte de silagem já preparada e três partes de leite. No segundo dia usamos duas partes de silagem e duas partes de leite. Depois três partes de silagem, uma parte de leite e aí por diante ele vai tomar só silagem. Lembrando que nos dois primeiros dias ele vai receber o colostro da mãe dele”, explica.
Os experimentos indicam que os filhotes que tomam a silagem engordam um pouco menos do que os que mamam leite, principalmente nas três primeiras semanas. “É importante o produtor oferecer um concentrado de boa qualidade. Ele passa a consumir mais concentrado do que o animal que recebe o leite, e o desempenho passa a ser semelhante ao do animal que está recebendo leite. É uma economia, porque para fazer o aleitamento durante 60 dias do animal, são 220 litros por bezerro”, avalia.
Ninguém sabe ao certo ainda quanto tempo dura esse produto depois de pronto. As primeiras silagens preparadas na Universidade Federal de Minas Gerais em 2009 continuam boas.

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