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quarta-feira, 27 de junho de 2018

Após relatos de coação, MPF diz que depoimento colhido no sítio em Atibaia foi realizado de maneira legal

Por G1

O Ministério Público Federal (MPF) disse que o depoimento de Rosilene da Luz Ferreira, que trabalhou como cozinheira no sítio em Atibaia (SP), foi realizado de maneira legal e que não houve coação ou condução coercitiva, conforme relatou o marido dela, Lietides Pereira Vieira, em audiência na Justiça.

O depoimento de Rosilene foi colhido no dia 4 de março de 2016, mesmo dia em que foi deflagrada a 24ª fase da Lava Jato e que o ex-presidente Lula foi alvo de um mandado de condução coercitiva.

A força-tarefa da Lava Jato acusa Lula de receber propina proveniente de seis contratos firmados entre a Petrobras e a Odebrecht e a OAS. Os valores foram repassados ao ex-presidente em reformas realizadas no sítio, dizem os procuradores.

Lula nega as acusações e diz não ser o dono do imóvel, que está no nome de sócios de um dos filhos do ex-presidente. Além do ex-presidente, outras 12 pessoas são rés no processo.

Lietides Pereira Vieira também trabalhou no sítio como eletricista. Ele foi ouvido na condição de testemunha de Fernando Bittar no processo que apura a propriedade do sítio, no último dia 20 de junho.

O eletricista disse, segundo o MPF, que houve coação por parte das autoridades ao levar a esposa dele da casa dela para depor no sítio.

Lietides Pereira Vieira foi ouvido na condição de testemunha de desfesa do Fernando Bittar em processo que investiga sítio de Atibaia (Foto: Reprodução)
Segundo ele, a mulher foi levada com o filho do casal, de oito anos, e prestou depoimento por cerca de uma hora até ser conduzida novamente para casa. "Ela me contou que eles falaram: 'a senhora vai ter que ir lá depor, prestar alguns esclarecimentos'".

Lietides disse ainda que o filho do casal foi levado junto para o local do depoimento e que ele precisou de tratamento psicológico com a pediatra e psicológica porque ele ficou muito tenso.

O MPF afirmou que Rosilene se dispôs a ir ao sitío de Santa Bárbara para falar com a força-tarefa. Isso porque, conforme o MPF, o equipamento para a gravação do áudio do depoimento estava com pouca bateria, inviabilizando a tomada do depoimento na casa de Rosilene.

Conforme os procuradores, então foi proposto que o depoimento fosse tomado à tarde na própria residência da testemunha. Segundo eles, a cozinheira ponderou que nesse horário trabalharia em outro local e que, para ela própria, seria melhor que o depoimento fosse realizado ainda pela parte da manhã.

"Como a equipe comandada pelo Delegado Mauat e encarregada da tomada dos depoimentos somente encerraria os trabalhos no sítio após o meio dia, a testemunha se dispôs a comparecer na base operacional da PF no sítio Santa Barbara para formalizar e prestar depoimento ainda pela manhã, desde que pudesse se deslocar na viatura da Polícia Federal até o local onde seria colhido o depoimento e nela ser trazida de volta a sua residência a tempo de não se atrasar para o trabalho”, diz trecho da manifestação dos procuradores entregue à Justiça.

Quanto à presença do filho de Rosilene no sítio, os procuradores disseram que foi uma decisão dela mesma, sem nenhuma ingerência do Ministério Público ou dos policiais de apoio. "Ele - o menor - poderia ter permanecido junto com o esposo ou companheiro, por decisão exclusiva de seus genitores", disse o MPF.

O que disse o marido de Rosilene

Após ser questionado pela defesa do empresário Fernando Bittar durante o depoimento, o eletricista Lietides Vieira disse que no dia em que foi deflagrada a 24ª fase da Operação Lava Jato, policiais e procuradores foram até sua casa, por volta das 6h, e levaram a esposa para prestar depoimento no sítio em Atibaia (SP) sem apresentar mandado.

Segundo ele, a mulher foi levada com o filho do casal, de oito anos, e prestou depoimento por cerca de uma hora até ser conduzida novamente para casa.

"Ela me contou que eles falaram: 'a senhora vai ter que ir lá depor, prestar alguns esclarecimentos'".

Ele disse que, primeiro, pediram o documento dela e assinaram um papel. Na sequência, o eletricista contou que tinha consulta médica marcada e que ficou sabendo que a esposa e o filho tinham sido levados por telefone quando ela ligou.

"Meu filho faz tratamento psicológico com a pediatra e psicológica até hoje, porque ele ficou muito tenso. Ele ficou muito com medinho, meu filho adoeceu. Meu filho ficou uns oito dias em que ele dormia comigo atracado no meu pescoço, com medo", relatou.

Lietides é irmão de Élcio Vieira, caseiro do sítio atribuído a Lula, e conhecido como Maradona. Ele diz ter prestado serviços no sítio e que a mulher, esporadicamente, fazia limpeza no local.

De acordo com o eletricista, depois de ser questionado pela defesa do ex-presidente, a mulher teve que responder, entre outras perguntas, sobre Lula. "Eles perguntaram para ela se ela já tinha visto o ex-presidente Lula no sítio", contou.

Vieira afirmou ainda que a esposa que trabalhava para Bittar também causou problemas à saúde dela. "A gente vem de família simples e humilde. E a gente não tem esse tipo de parâmetro, de presenciar uma cena assim, doutor. Então isso foi um abalo gigantesco para ela e para o meu filho", disse.

Depois de pedir esclarecimentos sobre pagamentos pelos serviços prestados no sítio, Moro questionou o eletricista sobre o episódio da mulher e do filho. O juiz quis entender o motivo do fato nunca tinha sido mencionado e como a defesa de Bittar sabia.

O advogado interferiu e explicou que soube por meio do irmão do eletricista. Moro disse que o fato seria apurado. "Me causa um pouco de surpresa que esse assunto venha à tona de surpresa durante uma audiência e nunca tenha sido trazida ao juízo anteriormente", afirmou o juiz.


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