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segunda-feira, 25 de outubro de 2021

O Campo é a solução


Por Lenildo Alves Santana

Graduado em economia pela UESC, licenciado em Matemática pela UESC, pós-graduado em economia de empresas pela UESC.Professor da rede pública estadual.

 Passados mais de duas décadas do fechamento da fábrica de refrigerantes da Coca-Cola e quase três do advento da vassoura de bruxa, Ibicaraí ainda não encontrou o caminho para alavancar o seu desenvolvimento, deposita sua esperança na instalação de uma grande indústria que seja capaz de fomentar o emprego e renda do município, trazendo de volta os bons tempos de uma economia pujante.

O modelo de desenvolvimento baseado na indústria não é esperança apenas do nosso município, a rapidez com que os empregos são gerados e as oportunidades que a indústria oferece encanta a mente de munícipes em todos os cantos do país, principalmente nas pequenas cidades cuja oportunidade de trabalho no segmento urbano industrial e bastante limitada.

E para o segmento industrial que os incentivos mais robustos dos governos são dispensados, por outro lado a indústria tende sempre a se instalar onde os meios de produção são mais fartos, mais baratos e mais fáceis de serem escoados, concentrando grande parte destes empreendimentos em regiões de grandes metrópoles, desenvolvidas e desencontradas das necessidades de boa parte da população.

Traço esse cenário para que possamos fazer uma reflexão juntos sobre a quantidade de empregos que dispomos hoje na indústria e no campo com a perspectiva de contribuir para criar um debate sobre as ações governamentais que sejam capazes de fortalecer a nossa economia e direcionar o nosso desenvolvimento econômico.

Dados do censo demográfico de 2010 (último realizado) apontam que naquele ano 1.650 pessoas estavam ligadas ao trabalho em serviços, vendedores de comercio e mercados, 765 na indústria de transformação e 1246 em atividades não especializadas de agricultura, pecuária e extrativismo na cidade de Ibicaraí. Já em 2019 o IBGE apontava que Ibicaraí ocupava a 177 posição no ranking de pessoas ocupadas no estado da Bahia e a 8 posição na região geográfica composta por 22 cidades.

Levando em consideração que o segmento rural por diversos fatores acaba por não formalizar a relação de trabalho e que em grande parte o trabalho e realizado por membros da família que não se identificam como trabalhadores rurais, podemos afirmar de forma muito clara que o potencial de geração de emprego e renda pela agricultura e pecuária no município é imensamente maior que o gerado pela indústria, contudo os esforços governamentais são para a atração de uma grande indústria para o município e nenhum incentivo para a ampliação do trabalho no campo.

Diversas cidades do sul, centro-oeste e sudeste tem suas economias sustentadas pela atividade rural, muitas delas com ênfase na agricultura familiar, projetos de incentivo à agricultura, piscicultura, avicultura e criação de pequenos animais são usados como elementos propulsores da economia local, os investimentos realizados na atividade rural acabam por retornar as áreas urbanas através da compra de insumos e implementos e pelo gasto das famílias no atendimento de suas necessidades de subsistência.  

Os gastos com assistência técnica, fomento a aquisição de insumos, pequenas construções de uso coletivo, manutenção de estradas, moradias, energia e comunicação se mostram mais possíveis de serem realizados pelos pequenos municípios do que os investimentos capazes de atrair grandes indústrias, além do fato de que os gastos efetuados em pequenas propriedades permanecem no município, enquanto que incentivos fiscais ou financeiros a grandes industrias vão beneficiar as cidades onde estão localizadas as sedes das grandes empresas.

Outro aspecto que precisamos levar em consideração é que de maneira geral a defesa do incentivo para atração de uma grande empresa para a cidade se contradiz com ausência de qualquer incentivo para fortalecer as dezenas de pequenas empresas existentes no local e que juntas geram um número de empregos muitas vezes condizente com uma grande empresa na cidade, contudo inexiste quaisquer políticas para fomentar estas pequenas empresas.

Sem apoio, sem incentivo perdemos diversas oportunidades de gerar empregos sem estabelecer nenhuma política de apoio para os nossos pequenos empresários, que se veem muitas das vezes completamente sozinhos enfrentando adversidades que poderiam muito serem solucionadas com políticas e planejamento coletivo.

Precisamos estabelece políticas públicas de incentivo permanente e continua para agricultura familiar como forma de gerar emprego e renda para a nossa população. Os recursos tecnológicos de produção no campo avançaram muito dando condições ao trabalhador de produzir mais sem os sacrifícios a que foram expostos nossos pioneiros rurais que se submeteram a condições extremamente adversas para desmatar a floresta e fazer a roça de cacau, hoje se produz mais com menos terra, com mais tecnologia e menos trabalho físico, com menos riscos, mais condições de ganho econômico e mais condições ambientais.

A união da sociedade na defesa de um projeto econômico de médio e longo prazo pode ser a saída para a geração de emprego e renda no nosso município.

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