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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Obcecado por vitória, Cristiano Ronaldo é favorito ao prêmio da Fifa



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A obsessão de Cristiano Ronaldo, 31, pela vitória pode ser satisfeita nesta segunda (9) quando a Fifa anunciar o troféu de melhor jogador do mundo de 2016. Ele é favorito contra o argentino Lionel Messi, do Barcelona, e o francês Antoine Griezmann, do Atlético de Madri.
Cobiçar o troféu e não gostar de perder não são características únicas desse jogador português, conhecido como CR7 –junção de suas iniciais e número de camisa.
Mas a relação dele com o pódio e seu horror à derrota são traços particulares, repetidos por pessoas entrevistadas pela Folha nas últimas semanas em Lisboa e Madri.
Atleta desde criança e desde então fixado na ideia de ser o melhor, seu retrato se assemelha ao dos heróis dos épicos gregos, descritos na antiguidade pelo empenho em destacar-se, mas também pelo seu descomedimento.


MAGRICELA
Cristiano Ronaldo nasceu na ilha de Madeira em 1985. Ele driblava, nas ladeiras, com garrafas descartáveis e sacos plásticos, até começar a treinar com o clube local, Andorinha, aos oito anos.
"Ele era muito magrinho, pequenininho", diz Ricardo Santos, seu colega àquela época e hoje treinador.
CR7 já superava os demais jogadores, conta Santos, tanto que treinava entre os mais velhos. Era o mais ágil. "Mas ninguém suspeitava que ele iria ser quem é hoje", diz.
Já se via, no entanto, que ele não se acostumava às derrotas. O jogador magricela foi apelidado pelos companheiros de "chorão" –adulto, trocou o pranto por demonstrações de raiva e caretas.
Fora do gramado, o tristonho jogador estendia seus treinos às ruas, onde aprendeu a irreverência. "Hoje os miúdos estão todos em academias de futebol e são parecidos uns com os outros", afirma Santos. CR7, não.
Aos 12 anos, a fama de Cristiano Ronaldo chegou ao Sporting de Lisboa, que interessou-se pelo menino. Alguém teve a ideia de trocá-lo por uma dívida do Andorinha no valor de € 25 mil (R$ 84,5 mil em valores atuais).
Aurélio Pereira, olheiro do Sporting, sugeriu que CR7 treinasse por uma semana em Lisboa para uma avaliação. "No segundo dia, tomamos a decisão", conta, na academia de talentos do time.
Pereira se impressionou por duas coisas. O talento visível a olho nu e a habilidade de dominar o ambiente.
"Os jogadores são as melhores testemunhas, nesses casos. Ou eles não passam a bola ou imediatamente passam e chamam o novo colega pelo nome. Os mais velhos estavam rendidos a ele", diz.
A decisão de convidar o rapazola era, porém, delicada. CR7 teria que viver sem os pais, em Lisboa, fazendo embaixadinhas entre a escola e os treinos. "Teríamos a responsabilidade de cuidar do filho dos outros", diz Pereira, com quem o jogador estabeleceu laços quase familiares.
Cristiano Ronaldo tinha, naqueles anos, um sotaque com toques de Madeira. "Ele esticava um bocadinho as vogais", diz o olheiro. Os outros jogadores faziam troça dele. "Ele é muito orgulhoso, é claro que não gostava."


PENSÃO
O madeirense viveu por anos na pensão Dom José, no centro de Lisboa, onde a reportagem da Folha se hospedou. Ele dividia um quarto com paredes cor de salmão e sem banheiro. Ficaram ali, além da fama, as memórias.
"Todos os meninos brincavam. O Ronaldo, não", diz a camareira Maria José Lopes. "Ele chegava dos treinos, ia ao banho ouvindo música e depois agarrava os halteres."
A rotina de treinos incluía, então, duas passagens diárias pelo boteco Magriço. Cristiano Ronaldo comia um sanduíche e um pastel de Belém pelas manhãs.
"Dava para ver que ele era muito trabalhador", conta o garçom Antonio Gonçalves, que serviu o jogador desde os 12 até os 17 anos. "Ele vinha treinar fora do horário, chutar bola contra a parede."
Mas Gonçalves, ao contrário da camareira Lopes, se lembra também de um CR7 brincalhão, menos sisudo.
"Eles voltavam à noite do treino e simulavam um acidente de carro, batendo nas latas de lixo", afirma.
Cristiano Ronaldo deixou Portugal em 2003 para jogar no Manchester United, da Inglaterra, onde ficou até 2009. O atacante em seguida concretizou seu sonho de jogar no Real Madrid, da Espanha.
Mas os laços com o país natal seguem firmes. As testemunhas de seus feitos ouvidas pela reportagem em Portugal, assim como seus fãs, demonstravam afeto pelo jogador. Já se fazia planos, em dezembro, sobre onde acompanhar o anúncio do troféu de melhor do mundo.
Cristiano Ronaldo se distingue do arquirrival Messi por já ter conquistado o próprio país. Messi ainda parece precisar se provar na Argentina, mas CR7 tem Portugal no lugar da bola: aos pés.
O brasileiro Luiz Felipe Scolari, que chefiou o time nacional de Portugal entre 2002 e 2008, lembra-se do gajo com carinho. Ambos estabeleceram uma relação forte quando Scolari lhe comunicou a morte de seu pai, em 2005, por complicações relacionadas ao alcoolismo.
"A lembrança que tenho do Cristiano é a de um jovem dedicado, humilde, esforçado e muito atento a detalhes que pudessem ajudar a se tornar o que sonhou", recorda.
MUDANÇA
Entre 2010 e 2015, a Fifa uniu o seu prêmio de melhor do mundo com a tradicional Bola de Ouro, da revista "France Football". No ano passado, a parceria acabou. As duas eleições sempre foram, na prática, exclusivas para o futebol da Europa.
A Bola de Ouro nasceu em 1956. O primeiro ganhador foi o inglês Stanley Mattheus. A Fifa criou seu troféu em 1991, quando o escolhido foi o alemão Lothar Matthaus.
Fifa e France Football têm conceitos diferentes. A Bola de Ouro, até 1995, foi concedida apenas a jogadores que atuassem no Velho Continente.
Idealizado como concorrente à escolha da publicação francesa, a eleição da Fifa surgiu com a proposta de ser mundial. Atletas de todos os países poderiam vencer. Na prática, isso jamais aconteceu. Todos os finalistas sempre foram de times europeus.
A France Football restringe o processo de votação a jornalistas. Além da imprensa, também votam na eleição da Fifa capitães e treinadores de seleções. Neste ano, o público também participou. As escolhas dos torcedores representarão 25% dos votos.
Horas após o vencedor ser anunciado, a Fifa divulga todos os votos, o que pode causar surpresas.
Em 2014, o técnico da Guatemala, Ivan Franco Sopegno, cravou o volante argentino Mascherano como melhor do mundo.
A cerimônia deste ano será nesta segunda-feira (9), às 15h30 (de Brasília).

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