quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Seca do Rio Negro ganha força e muda paisagens em Manaus

Segundo dados do Porto de Manaus, nível já baixou 4,6 m em outubro.

Nível da água preocupa donos de barcos que atracam na capital.

Diego Toledano e Andrezza Lifsitch
Do G1 AM
Vazante do Rio Negro em Manaus nesta quarta-feira (14) (Foto: Leandro Tapajós/G1 AM)'Flutuante' e barco encalhados em área da Zona Sul da capital na tarde desta quarta (14); colunas da ponte têm marcas do nível do Rio Negro durante a cheia (Foto: Leandro Tapajós/G1 AM)
Com a seca, o volume de água do Rio Negro começa a mudar a paisagem em algumas áreas da cidade. Antes inundada pela quarta maior enchente da história, a faixa de areia da ManausModerna, área central da cidade, dá espaço para veículos e pedestres. Na Zona Sul, barcos estão encalhados em terra firme. Apesar do pouco volume de chuva, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) diz que ainda é cedo para prever uma seca recorde na região.

A seca do Rio Negro na capital teve início em meados de julho, mas acelerou somente em outubro.A redução de chuvas e o calor intenso causados pelo fenômeno El Niño contribuem para a rápida queda do nível do rio, segundo especialistas. A previsão é que o volume de precipitação fique abaixo do normal até o mês de dezembro e impacte no nível do rio.


A cota diminuiu mais de um metro entre a segunda-feira (12) e esta quarta-feira (14), chegando à 18.91m. Somente no domingo (11), a vazante do rio foi de 40 cm. A média de descida das águas varia entre 32 cm e 38 cm, de acordo com a régua do Porto de Manaus.

Descarga de produtos têm sido realizada em meio ao barro (Foto: Diego Toledano/ G1 AM)Descarga de produtos têm sido realizada em meio ao barro (Foto: Diego Toledano/ G1 AM)
O engenheiro hidrólogo e gerente de hidrologia e gestão territorial do CPRM, André Santos, explicou que o volume de vazão do Rio Negro está dentro do esperado e que a descida intensa observada nos últimos dias, apesar de incomum, equilibrou a cota do rio em Manaus.

"O processo de vazante deu uma boa intensificada, inclusive, chamando a atenção porque não foi comum uma repetição desse evento de 35cm em média de descida. Porém, o rio, antes desse evento, estava com nível acima da média, ou seja, estava com uma reserva de água. Esse fenômeno fez, somente, equalizar. O rio, com isso, chegou ao seu patamar normal. Ainda não é motivo para alarde, no que diz respeito a uma grande vazante (seca), justamente pela reserva que se tinha", disse.

Vazante do Rio Negro em Manaus nesta quarta-feira (14) (Foto: Leandro Tapajós/G1 AM)Vazante do Rio Negro em Manaus nesta quarta-feira (14) (Foto: Leandro Tapajós/G1 AM)
Barcos estão atracados em meio a barro na Manaus Moderna (Foto: Diego Toledano/ G1 AM)Barcos estão atracados em meio a barro em área portuária no Centro de Manaus (Foto: Diego Toledano/ G1 AM)
O engenheiro hidrólogo observou ainda que processo de vazante costuma encerrar entre outubro e novembro. Ele destacou, no entanto, que é necessário analisar o comportamento do rio nas próximas semana para avaliar a dimensão da seca deste ano.
"A única chance de se ter uma seca grande é se esse fenômeno se prolongar bastante. E se tivermos uma vazante continuada até dezembro e janeiro. É necessário observar se esse fenômeno vai perdurar por muito tempo. Acho pouco provável, porque na cabeceira do Solimões, na área de Tabatinga, já ocorreu uma pequena elevação do nível", observou.
Agente de viagens relatou dificuldades de comandantes de embarcações (Foto: Diego Toledano/ G1 AM)
Agente de viagens relatou dificuldades de
comandantes de embarcações
(Foto: Diego Toledano/ G1 AM)
Dificuldade na navegação
A diminuição do nível do Rio Negro fica clara na margem da Feira da Manaus Moderna, na área central da cidade. O G1 registrou as embarcações atracadas em meio ao barro que ficava coberto pelas águas até três semanas atrás.

Segundo o agente de viagens Carlos César Santos, de 50 anos, a rápida redução do nível das águas tem causado preocupações aos comandantes das embarcações que atracam no local. “Os barcos estão sempre muito carregados com passageiros e mercadorias. Muitas vezes, elas começam a subir no barro porque os bancos de areia mudam de um lado para outro”, relatou.
Santos informou ainda que a segurança é uma preocupação que faz parte da rotina dos trabalhadores que atuam no local. Segundo ele, a vazante tem sido “muito difícil e instável”. “A queda [do nível da água] nos deixa preocupados porque agora os carros descem até os barcos para receber e descarregar mercadoria e não existe lugar específico pra isso, então temos que lidar com as condições adversas do barro”, contou.
Na orla da Ponte São Raimundo, Zona Sul de Manaus, casas flutuantes estão em terra firme em razão da ausência de água. O cenário da vazante pode ser melhor percebido do alto ponte que corta o bairro. Na tarde desta quarta-feira (14), algumas embarcações estavam encalhadas.

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