Por André Luiz Evangelista – Jornalista MTB 0006515/BA
Ibicaraí, no sul da Bahia, atravessa um momento de grandes questionamentos administrativos, financeiros e sociais. A população acompanha com preocupação os relatos de dificuldades no pagamento dos servidores públicos, a mobilização dos profissionais da educação, as discussões sobre o tamanho da folha municipal e o atraso na conclusão de importantes projetos habitacionais.
A administração da prefeita Monalisa Gonçalves Tavares enfrenta cobranças que exigem respostas públicas e esclarecimentos documentais.
A FOLHA DE PAGAMENTO E O PESO DAS CONTRATAÇÕES
Uma das questões que vêm sendo levantadas no município diz respeito ao crescimento das contratações de pessoal antes do período eleitoral. Há relatos de que mais de 150 pessoas teriam sido incorporadas à estrutura municipal naquele período.
A população precisa saber quantas contratações foram efetivamente realizadas, quais funções foram preenchidas, quanto representam essas admissões na folha mensal e se houve planejamento financeiro para sustentar essas despesas.
O problema ganha dimensão ainda maior diante dos relatos de atrasos nos pagamentos de servidores.
A prefeitura precisa apresentar os números, explicar a situação financeira e demonstrar quais medidas estão sendo adotadas para regularizar os compromissos.
PROFESSORES AMEAÇAM PARALISAÇÃO
Outro ponto de preocupação envolve os profissionais da educação.
Segundo relatos recebidos, professores aguardam o pagamento dos vencimentos referentes a outubro e existe uma mobilização da categoria para uma possível paralisação na próxima semana.
A situação merece atenção especial. Professor não pode ser tratado como trabalhador de segunda categoria. O salário é um direito, não uma concessão administrativa.
Uma eventual paralisação também representa prejuízo para os estudantes e para as famílias que dependem da escola pública.
A administração precisa dialogar com a APLB, apresentar um calendário de pagamento e buscar uma solução que preserve os direitos dos trabalhadores e a continuidade das aulas.
AS 150 CASAS POPULARES: UMA ESPERANÇA QUE CONTINUA À ESPERA
Talvez uma das questões mais delicadas da administração municipal seja a situação das 150 casas populares do bairro do Luxo, construídas por meio de convênio com o Governo da Bahia, através da CONDER.
O empreendimento deveria representar uma nova oportunidade para famílias que perderam suas moradias nas enchentes de dezembro de 2021.
Entretanto, levantamento publicado pelo Grupo Ibicaraí, em setembro de 2026, apontou que as unidades ainda não apareciam como entregues aos beneficiários nos documentos analisados.
O levantamento informa que o convênio teve valor atualizado de aproximadamente R$ 10,8 milhões e que os recursos correspondentes haviam sido disponibilizados em duas parcelas.
Outro dado importante: em setembro de 2026, a Prefeitura publicou uma nova concorrência eletrônica para contratar uma empresa responsável pela execução do saldo remanescente das obras, com valor estimado em R$ 6,83 milhões. O prazo para apresentação de propostas terminou em 3 de novembro.
Isso levanta perguntas fundamentais:
Por que uma obra dessa dimensão chegou a precisar de uma nova contratação para concluir serviços remanescentes?
Qual é o percentual atual de execução?
Quanto foi efetivamente gasto?
Onde estão os extratos da conta específica do convênio?
Existe alguma reprogramação financeira aprovada pela CONDER?
O dinheiro destinado à habitação precisa cumprir sua finalidade, e as famílias beneficiárias merecem respeito.
O MUNICÍPIO PRECISA DE EXPLICAÇÕES E PLANEJAMENTO
Ibicaraí não pode ficar refém de incertezas administrativas.
Se existe necessidade de reduzir despesas, a prefeitura precisa apresentar um plano transparente, explicar os critérios das eventuais demissões e assegurar o pagamento dos direitos trabalhistas.
Se a folha ficou acima da capacidade financeira do município, é necessário explicar como isso aconteceu e quais providências serão tomadas.
A população também precisa acompanhar a situação das obras públicas, dos contratos, dos convênios e das transferências de recursos.
Não basta anunciar investimentos. É preciso concluir obras, prestar contas e entregar resultados.
ATÉ QUANDO IBICARAÍ VAI ESPERAR?
Ibicaraí é uma cidade de trabalhadores, professores, comerciantes, agricultores, pais e mães de família que precisam de uma administração capaz de oferecer estabilidade e serviços públicos de qualidade.
O servidor quer receber seu salário. O professor quer trabalhar com dignidade. A família que perdeu sua casa na enchente quer receber sua moradia. O cidadão quer saber onde está sendo aplicado o dinheiro público.
A prefeita Monalisa Gonçalves Tavares precisa vir a público e apresentar explicações objetivas sobre a situação financeira da administração, os pagamentos pendentes, as contratações, a folha de pessoal e o andamento das casas populares.
Não se trata de condenar antecipadamente uma gestão, mas de cobrar transparência, responsabilidade e respeito à população.
O município não pode ser administrado apenas com discursos, promessas e anúncios. Governar significa planejar, administrar recursos, cumprir compromissos e prestar contas.
Ibicaraí precisa de respostas. Os servidores precisam receber. Os professores precisam ser respeitados. E as famílias que esperam pelas casas populares precisam, finalmente, saber quando terão um teto para chamar de seu.


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