Por André Luiz Evangelista Jornalista MTB 0006515/BA
Neste dia 22 de outubro de 2026, o município de Ibicaraí, no sul da Bahia,
completa 74 anos de emancipação político-administrativa. São mais de sete
décadas de história, de trabalho, de lutas e de sonhos construídos por homens e
mulheres que ajudaram a formar a identidade desta cidade.
Entretanto, diante de tantos problemas que ainda afligem a população, a data
comemorativa também se transforma em um momento de reflexão. Afinal, o que há
para celebrar quando tantas necessidades básicas continuam sem respostas
satisfatórias?
Ibicaraí é uma cidade de gente ordeira, trabalhadora e aguerrida. Um povo
que acorda cedo, enfrenta dificuldades, luta pelo sustento de suas famílias e
não perde a esperança de dias melhores. Mas esse mesmo povo convive com
problemas que exigem atenção, planejamento, responsabilidade e compromisso do
poder público.
Ruas sem calçamento, saúde com dificuldades e educação que precisa
de atenção.
Em diferentes pontos do município, moradores reclamam das condições das
ruas, da falta de pavimentação e dos transtornos provocados pela infraestrutura
precária. Na saúde, a preocupação com a falta de medicamentos nos postos
representa uma questão que merece apuração e providências, pois quem procura
uma unidade de saúde espera encontrar acolhimento e acesso aos tratamentos
necessários.
Na educação, também surgem questionamentos sobre a qualidade da merenda
escolar e as condições do transporte oferecido aos estudantes. Crianças e
adolescentes precisam de alimentação adequada, veículos seguros e condições
dignas para frequentar a escola. Não se trata de luxo, mas de direitos
fundamentais.
Estradas vicinais esquecidas, desenvolvimento comprometido.
As estradas da zona rural são fundamentais para o deslocamento dos
moradores, o transporte escolar e o escoamento da produção agrícola. Quando
essas vias não recebem manutenção adequada, quem mais sofre são os
trabalhadores rurais, os pequenos produtores e as famílias que dependem delas
diariamente.
Uma cidade que deseja crescer não pode virar as costas para sua zona rural.
O desenvolvimento precisa chegar tanto às ruas do centro quanto às comunidades
mais distantes.
As casas populares: um sonho que não pode permanecer indefinidamente
no papel.
Outro ponto que merece esclarecimentos é a situação das moradias populares
do bairro do Luxo. As obras tiveram início em 2022 e, até outubro de 2026, as
150 unidades ainda não foram concluídas.
Para quem aguarda uma casa própria, cada mês de atraso significa mais tempo
de incerteza, aluguel, dificuldades e sonhos adiados. É necessário que os
responsáveis apresentem informações claras sobre o andamento das obras, os
recursos envolvidos, os obstáculos existentes e uma previsão realista de
conclusão.
A situação das casas do Duque de Caxias também precisa ser acompanhada de
perto, com transparência sobre o cronograma e as etapas necessárias para que as
famílias beneficiadas possam finalmente receber suas moradias.
Asfalto fino, problemas duradouros?
Na Vila Felicidade e no loteamento Diney Faria, moradores também levantam
questionamentos sobre a qualidade da pavimentação executada. A expressão
popular “asfalto casca de ovo” traduz a preocupação de quem teme que uma obra
de pouca espessura ou qualidade inadequada não resista ao tempo e ao tráfego.
É fundamental que a execução desses serviços seja fiscalizada, que as
especificações técnicas sejam respeitadas e que a população tenha acesso às
informações sobre contratos, materiais utilizados e garantias. Obras públicas
devem ser feitas para durar, e não apenas para produzir uma aparência
momentânea de melhoria.
74 anos de história exigem mais do que discursos e homenagens.
Aniversários municipais costumam ser marcados por mensagens de orgulho,
celebrações e reconhecimento da história local. Tudo isso tem seu valor.
Contudo, a verdadeira homenagem a Ibicaraí precisa ir além das palavras.
Uma cidade se desenvolve quando suas ruas oferecem condições dignas de
circulação, seus postos de saúde dispõem dos medicamentos necessários, suas
escolas garantem alimentação adequada, seus estudantes contam com transporte
seguro, suas estradas rurais recebem manutenção e suas famílias têm acesso à
moradia.
A administração municipal tem a responsabilidade de prestar contas,
estabelecer prioridades e apresentar soluções. Da mesma forma, a sociedade tem
o direito de fiscalizar, questionar e cobrar providências. Essas cobranças não
devem ser tratadas como ataques pessoais, mas como parte legítima da vida
democrática.
É justo reconhecer que desafios administrativos podem envolver limitações
financeiras, questões contratuais e obstáculos técnicos. Mas a população merece
conhecer esses obstáculos, saber quais medidas estão sendo adotadas e
acompanhar resultados concretos.
PARABÉNS, IBICARAÍ! MAS O POVO TAMBÉM PRECISA DE RESPOSTAS.
Neste 22 de outubro, parabenizamos Ibicaraí pelos seus 74 anos de
emancipação político-administrativa. Homenageamos sua gente simples, honesta,
trabalhadora e resistente, que continua acreditando no potencial desta terra.
Mas celebrar a cidade também significa reconhecer suas dificuldades. Amar
Ibicaraí não é fechar os olhos para os problemas; é ter coragem de apontá-los e
defender soluções.
Que os 74 anos não sejam apenas mais uma data no calendário, mas uma
oportunidade para rever prioridades, corrigir caminhos e assumir compromissos
concretos com a população.
Ibicaraí não pertence a um grupo político, a um prefeito ou a uma
administração. Ibicaraí pertence ao seu povo.
E o povo, que trabalha, paga impostos e sustenta a cidade com seu esforço
diário, merece respeito, serviços públicos de qualidade, obras bem executadas e
respostas para suas necessidades.
André Luiz Evangelista Jornalismo, cidadania e
compromisso com a população.

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