Por Arnold Coelho Jornalista MTB 0006446/BA
É preciso viver algumas décadas para aprender o quanto somos defeituosos, egoístas, egocêntricos e narcisistas. Com raras exceções, vivemos uma vida de ilusões e, agora, com as redes sociais, isso ficou ainda mais evidente. Mostramos fotos produzidas, sorrisos largos, cenários fictícios e falsas ostentações, enquanto escondemos a sete chaves os nossos defeitos.
Temos espelhos e nos olhamos diariamente, mas não conseguimos enxergar o quão insignificantes somos diante da imensidão do universo. Eu mesmo, se muito viver, terei mais duas ou três décadas pela frente, com muita sorte. Depois disso, serei apenas passado, lembrado por poucos e em momentos esporádicos. E, mesmo sabendo disso, ainda me pego sendo arrogante e, às vezes, prepotente.
A minha luta diária é compreender que viver é amar o próximo como amo a mim mesmo. E essa frase não é minha; boa parte da humanidade conhece ou já ouviu falar daquele que nos deixou essa breve, porém eterna, mensagem.
Quando observo a fragilidade do planeta em que vivemos - um simples grão de areia em um universo infinito - e vejo que uma pequena movimentação entre placas tectônicas é capaz de provocar a desgraça de milhares de pessoas, pergunto-me: por que carregamos tanta arrogância e tanta prepotência? Ontem foi na Venezuela; amanhã pode ser no Brasil. E, então, perceberemos que nada somos.
Acabamos de sair de uma pandemia que nos manteve incrédulos e amedrontados por quase 30 meses e, pelo visto, não aprendemos quase nada. O ser humano continua matando por riquezas e poder efêmeros. Guerras continuam sendo travadas, e inocentes continuam morrendo por interesses econômicos, por petróleo e por ambição. Até quando presenciaremos conflitos movidos pela ganância e pela sede de poder?
O mundo está em alerta diante da chegada de um poderoso e potencialmente catastrófico El Niño. Ainda assim, muitas pessoas parecem não perceber que poderemos enfrentar mais uma grande provação para entender que somos seres pequenos e passageiros, e que o nosso maior propósito talvez seja amar e ajudar o próximo.
Precisamos de menos poder e de mais amor. Precisamos descer desse cavalo chamado "ego", abandonar a ganância e começar a espalhar a bondade, a empatia e o amor ao nosso semelhante. Afinal, em breve passaremos por esta vida e deixaremos apenas lembranças, boas ou ruins.
E você... que lembranças deseja deixar?
Arnold Coelho
Tentando ser uma boa pessoa

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