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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Testemunha descreve vida de luxo de casal suspeito de golpes pela internet

Dona do site Pank foi presa em Ribeirão após investigação de 10 anos.

Segundo MP, fraudes somam R$ 100 milhões; empresário segue foragido.

Do G1 Ribeirão e Franca

Suspeitos de aplicar golpes pela internet de no mínimo R$ 100 milhões, a empresária Viviane Boffi Emílio e o marido Michel Pierri de Souza Cintra mantinham uma vida de luxo com restaurantes caros, compra de veículos importados a cada três meses e doações para igreja no total de R$ 700 mil, segundo uma testemunha entrevistada pela EPTV.
A rotina do casal, que mora em Ribeirão Preto (SP), foi revelada por um ex-funcionário do site Pank, uma das empresas com sistema de compras online que, segundo o Ministério Público, fizeram mais de 100 mil vítimas em todo o país.
Os suspeitos eram investigados há dez anos. Viviane foi detida na terça-feira (1º) em Ribeirão Preto e foi levada para a Cadeia de Cajuru (SP), após ter prisão temporária decretada. Cintra também teve prisão ordenada, mas está foragido. A advogada do casal, Cláudia Seixas, afirmou que não comentará as acusações porque o processo ainda está em andamento.
A dupla e mais duas pessoas apontadas como "laranjas" podem responder por associação criminosa, estelionato, lavagem de dinheiro e crime contra a economia popular.
Sem qualidade
Segundo as investigações do MP, os sites administrados pelo casal comercializavam diversos produtos, principalmente eletroeletrônicos, que, após serem adquiridos pelos clientes, não eram entregues ou não apresentavam a qualidade anunciada, sendo, muitas vezes, artigos piratas.

“Ele [Cintra] sabia da qualidade dos produtos, porque era um canal de intermediação de oferta. Qualidade bem inferior. Sabia que ia ter problemas com esses produtos e mesmo assim ele colocava para vender”, afirmou o ex-funcionário, que preferiu não ser identificado.
A empresa em questão era registrada no nome de Viviane, funcionava no Jardim Irajá, zona sul de Ribeirão, e contava com 60 funcionários. Já Cintra respondia pelo site Stop Play, que também vendia produtos pela internet e foi fechado há oito anos pela mesma prática de golpes em clientes, segundo o MP.
De acordo com a testemunha, o site Pank vendia de 10 mil a 20 mil peças de um único produto, mesmo quando não havia estoque suficiente. “Poderia entregar um terço [do que era vendido]. Mas desse um terço mais de 50% ia dar problema. Com certeza."
Vida de luxo
Pelo menos 100 mil pessoas foram lesadas em golpes que somam, no mínimo, R$ 100 milhões, segundo a Promotoria. O valor adquirido com o esquema possibilitou que o casal levasse uma vida de luxo, que envolvia um apartamento em uma área nobre de Ribeirão Preto, a troca de carros importados a cada três meses, restaurantes caros e frequente ajuda em dinheiro à igreja - ele não revelou quantas nem quais eram.

“Funcionários sabiam que eles doavam não só dinheiro, mas ofertas também. Ele já deu muita grana na igreja. Inclusive doou carros. Três carros que eu sei. Isso dá mais ou menos R$ 700 mil, mas deve ter muita coisa que a gente nem sabe ainda”, disse o ex-funcionário.
Empresária foi presa em Ribeirão Preto por golpes praticados por meio de sites de compra (Foto: Reprodução/EPTV)Empresária foi presa suspeita de aplicar golpes por meio de sites de compra (Foto: Reprodução/EPTV)
Reclamações
O ex-funcionário contou também que a empresa em que trabalhou contava com um setor de atendimento, que estava ciente das constantes reclamações sobre a qualidade dos produtos, mas não tinham como agir.

“Vários e-mails de pessoas prejudicadas, de todas as classes sociais, todos foram prejudicados. E o atendimento sabia. Se você pegar um funcionário do atendimento ele vai falar que tinha receio, tinha dó, ficava superchateado com a situação, mas não podia fazer nada. Era só um funcionário”, ressaltou.
De acordo com o promotor Aroldo Costa Filho, o MP identificou milhares de queixas contra empresas do casal nos últimos dez anos. “Um site de reclamações bem conhecido registrou mais de 42 mil reclamações só da empresa Pank. Mais três mil reclamações contra a Stop Play, que também era do grupo, e mais três mil de outras empresas. Nós estimamos que seja um dos maiores fraudadores na internet do Brasil”, afirmou.
Os golpes também foram praticados contra empresas de publicidade, que eram contratadas para divulgar os sites dos suspeitos. Em uma das principais ocorrências, o casal divulgou o site Pank durante um jogo da seleção brasileira de futebol em Londres e deixou de pagar US$ 360 mil.
Empresário prestou esclarecimentos na Justiça sobre denúncias contra os sites (Foto: Reprodução/EPTV)Em gravação, Cintra presta esclarecimentos sobre denúncias contra os sites (Foto: Reprodução/EPTV)
Apreensões
Durante os anos de investigação, Viviane e Cintra foram intimados a depor e tentaram explicar os problemas apontados pelos clientes. Em gravações dos depoimentos adquiridas pela equipe da EPTV, o casal alega que apreensões feitas pela Polícia Federal desencadearam um “descontrole financeiro muito grande”.

“A Polícia Federal fez uma busca no depósito da empresa. Eu tinha um volume de produto muito grande, que ultrapassava R$ 1 milhão, era o meu primeiro Natal, inclusive, e ali foram apreendidos R$ 257 mil em produtos, preço de compra”, explicou Cintra em um trecho do depoimento.
Neste, ele ainda disse que houve uma segunda apreensão, em 2009, e dois furtos em 2008. Na ocasião, o empresário prestava contas de uma empresa associada à Stop Play.
Por sua vez, Viviane prestou esclarecimentos sobre a empresa Yes, da qual era dona. Segundo ela, as denúncias contra sua loja, tanto física quanto online, apareceram devido aos problemas das empresas de Cintra, de forma que ela também teve produtos apreendidos.
“Essa apreensão aconteceu tanto da parte do Fisco quanto da Polícia Civil. Por conta disso a gente não conseguiu continuar. Depois o site também acabou saindo do ar. Inviabilizou 100% do negócio”.
Ela também negou que não fossem feitas as entregas do produto. “Essa empresa foi uma loja física, ela tinha endereço, estoque de produtos, inclusive lá tinha uma assistência técnica”, destacou.
Todas as empresas online relatadas no curso do processo foram retiradas do ar pela Justiça.

Em meio à recessão e desemprego em alta, BC deve parar de subir juros

Previsão da maior parte do mercado é de manutenção em 14,25% ao ano.

Copom sobe juros ininterruptamente desde outubro: foram 7 altas seguidas.

Alexandro Martello
Do G1, em Brasília
Em meio ao cenário de recessão na economia brasileira e de alta do desemprego, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (2) e deve interromper o ciclo de alta dos juros, iniciado em outubro do ano passado, segundo a expectativa da maior parte dos analistas do mercado financeiro.
Nos últimos onze meses, a autoridade monetária promoveu sete altas seguidas na taxa básica de juros da economia brasileira, para 14,25% ao ano - o maior patamar em nove anos. Antes do início deste ciclo de alta, a taxa estava em 11% ao ano. Se confirmado o fim do processo de elevação, os juros terão subido, ao todo, 3,75 pontos percentuais.
Além dos números fracos da economia, com recessão técnica no Produto Interno Bruto (PIB), desemprego em alta e fracos indicadores de produção industrial e vendas internas, a percepção de que os juros não subirão mais tem por base também indicação do próprio Banco Central.
Em julho, a instituição informou entender que amanutenção da taxa básica de juros em 14,25% ao ano, por um "período suficientemente prolongado", é necessária para a convergência da inflação para a meta [central de 4,5%, tendo por base o IPCA] no final de 2016.
Sistema de metas
Pelo sistema de metas de inflação vigente na economia brasileira, o BC tem de calibrar os juros para atingir objetivos pré-determinados. Para 2015 e 2016, a meta central de inflação é de 4,5%, mas o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve de referência, pode oscilar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

O próprio Banco Central já admite que a inflação deve estourar o teto de 6,5% do sistema de metas em 2015. A previsão da autoridade monetária é de que a inflação fique em 9% neste ano. Já o mercado prevê um IPCA de 9,28% em 2015 – o maior patamar desde 2003.
A autoridade monetária tem dito que trabalha para evitar a propagação da inflação neste ano e para trazer a o IPCA para o centro da meta, de 4,5%, até o final de 2016. Os economistas dos bancos, porém, não acreditam que essa promessa será cumprida. A estimativa dos analistas é de 5,51% para o ano que vem.
Inflação, economia fraca e dólar em alta 
Em julho, a inflação oficial medida pelo IPCA somou 0,62%, o valor mais elevado, para o sétimo mês do ano, desde 2004. Nos sete primeiros meses deste ano, a inflação subiu 6,83%. Em doze meses até julho, acumula alta de 9,56%, o maior resultado desde novembro de 2003.

A inflação, neste ano, está pressionada, principalmente, por tarifas públicas, como energia elétrica e gasolina. Outro fator que também tem atuado para estimular a inflação em 2015 é o processo de alta do dólar - que avançou cerca de 40% em 2015, até esta terça-feira (1).
Dólar mais alto barateia as exportações e torna as compras feitas no exterior (quer seja de insumos ou industrializados) mais caras – e os valores geralmente são repassados para os preços finais dos produtos importados.
Por outro lado, além da recessão na economia, os índices de desemprego continuam crescendo, o que reforça a visão de que uma nova alta de juros não teria impacto amplo sobre a inflação. Segundo o IBGE, a taxa de desemprego somou 8,1% em três meses até maio, o maior valor da série histórica, que começou em 2012.
Segundo o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Lima Gonçalves, o resultado do PIB do segundo trimestre confirmou a esperada recessão e indicou que a mesma continuará.

“As expectativas para 2016 são de mais recessão”, avaliou ele em comunicado, acrescentando que o mercado de trabalho teve forte “distensão” (piora). Para ele, porém, a alta do dólar neste ano deverá gera um impacto de 0,2% a 0,5% no IPCA, mantido o atual nível (ao redor de R$ 3,68).

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Carro-aranha' começa a ser vendido no final do ano

Swincar tem braços independentes para superar os piores terrenos.

Cada roda possui um motor elétrico própio para atingir até 40 km/h.

Do G1, em São Paulo

Um novo veículo elétrico está pronto para enfrentar os piores terrenos pelo mundo. Com braços independentes, o "Swincar" lembra mais uma aranha pelo modo de andar e entrará em produção no final de outubro, segundo a fabricante francesa Mecanroc.
"A ideia nasceu ao ver pessoas descendo montanhas com veículos mais ou menos impróprios. A primeira ideia foi fazer um apenas para descer, não motorizado, com a capacidade de virar e a estabilidade que evitasse o capotamento", afirmou à Reuters Thierry Jammes, um dos criadores do modelo.
O design ficou por conta do arquiteto francês Pascal Rambaud. Cada roda é movida por um motor elétrico e tem suspensão independente, que permite uma enorme movimentação do braço, enquanto o assento do motorista fica praticamente imóvel.
A empresa afirma que o "carro-aranha" consegue escalar montanhas de até 70% de inclinação. A velocidade máxima do modelo, que pesa apenas 150 kg, é de 40 km/h. Um quadriciclo normal chega a velocidades superiores, mas com motor a combustão.
O Swincar começa a ser vendido no final do ano e já tem pedidos principalmente dos Estados Unidos, onde eles serão usados por empresas que promovem passeios na natureza.
No entanto, a Mecanroc também pensou no "carro-aranha" como uma opção para pessoas com mobilidade reduzida, como uma cadeira de rodas um pouco mais radical.
Swincar começa a ser vendido no final do ano (Foto: Divulgação/Swincar)Swincar começa a ser vendido no final do ano (Foto: Divulgação/Swincar)

Reajuste do preço do gás de cozinha começa a valer nesta terça-feira

Segundo a Petrobras, este é o primeiro aumento desde dezembro de 2002.

Será reajustado o preço do gás liquefeito de petróleo para uso residencial.

Do G1, em São Paulo
O preço do botijão de gás sofrerá reajuste a partir desta terça-feira (1º). A Petrobras informou na véspera que reajustará os preços de gás liquefeito de petróleo para uso residencial, envasado em botijões de até 13 kg (GLP P-13).

Segundo nota enviada à imprensa, a alta média será de 15%.

Segundo a Petrobras, este é o primeiro aumento do preço do gás de cozinha desde dezembro de 2002.

Em nota divulgada na sexta-feira (28), o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) havia informado que haveria o aumento, sem precisar de quanto seria.

De acordo com o Sindigás, o presidente da Sergás (sindicato das revendedoras), Robson Carneiro dos Santos, afirma que o reajuste será repassado ao consumidor. “Não tem como segurar o preço final por muito tempo porque os nossos custos também subiram muito”, afirmou, segundo nota divulgada no site do sindicato.

Dólar alto enfraquece comparação de preço de carro do Brasil e dos EUA

Disparada da moeda frente ao real reduz diferença entre os compactos.

Não significa que carro no Brasil ficou mais barato, e tendência é de aumento.

Do G1, em São Paulo
A alta de cerca de 35% do dólar em 2015 deixou mais próximos os valores de alguns carros no Brasil e nos Estados Unidos, com exceção dos modelos de luxo, que seguem muito mais caros no mercado nacional, mesmo com a variação cambial.
Carros - Dólar x Real (Foto: Arte/G1)
Ao aplicar as cotações recentes, em que o dólar passou de R$ 3,50, as diferenças de valores do Brasil para os EUA diminuem ou mesmo se invertem em alguns carros de até R$ 100 mil, globais (mesmo modelo vendido no Brasil e no exterior) e fabricados no mercado nacional.
No entanto, os carros do mercado americano continuam se mostrando mais equipados (veja exemplos abaixo) que os nacionais. Além disso, há a diferença no poder de compra, que se refere aos salários.
salário mínimo nos EUA é cerca de 4 vezes superior ao do brasileiro, o que deixa o carro muito mais "caro" no Brasil, independentemente do câmbio. Ou seja, o brasileiro precisa trabalhar muito mais para adquirir o mesmo veículo, embora eles tenham valores próximos.
Não ficou mais barato
No bolso do brasileiro, a "redução" dos valores em dólar em certos modelos não é sentida: a comparação só reflete o câmbio, destacam especialistas ouvidos pelo G1.

Um exemplo: a versão 1.8 CVT da nova geração do Toyota Corolla foi lançada em março de 2014 por R$ 69.990, o que, na cotação da época, correspondia a US$ 29,6 mil. Essa versão foi a única do sedã cujo preço em real não subiu até agora, mas, convertido em dólar, ele representava US$ 10 mil a menos na cotação da última sexta (28).
Para os analistas, o verdadeiro efeito prático do dólar alto nos carros no Brasil deverá ser um aumento nos preços, mesmo com as vendas em baixa, pois mesmos os modelos fabricados aqui utilizam componentes importados.
Ford Fiesta: preço no Brasil e nos EUA (atualizado em 31/08/15) (Foto: Divulgação)
"Não só o real que está se desvalorizando, o dólar está se valorizando também. Tem fatores que têm a ver com a economia americana e aversão ao risco no mundo - risco na China, na Europa -, fazendo com que investidores fujam para o dólar, apesar de as taxas de juros dos EUA ainda estarem baixas, mas haver sinais de que pode subir”, explica Emerson Marçal, economista da Fundação Getúlio Vargas-SP.
Nas comparações foram considerados 5 modelos globais (iguais no Brasil e no exterior) fabricados no mercado nacional, de diversos segmentos (Ford Fiesta HatchNissan VersaToyota Corolla,Honda HR-V e BMW X3), e 3 importados (Chevrolet Camaro, Jeep Grand Cherokee e Porsche Cayenne). Foram comparadas as versões que mais se aproximassem nos dois mercados, pelo menos com o mesmo motor e câmbio. A pesquisa e conversão dos valores foi feita na última segunda-feira (31), quando o dólar comercial fechou em R$ 3,62.
Os preços do Brasil são os sugeridos nas páginas das montadoras para São Paulo, quando o site pedia uma localização, e incluem frete e impostos. Os valores no mercado americano (preço sugerido e frete) também foram obtidos nos sites das marcas, como se fosse para um cliente da Flórida. Foi adicionado o imposto equivalente ao ICMS nos EUA, que varia de estado para estado e, na Flórida, é de 6%, segundo a advogada tributarista Alice Gontijo Santos Teixeira. Em algumas cidades pode ocorrer ainda uma tributação municipal.
Menos equipados
Alguns carros vendidos no Brasil mostraram nível de equipamentos inferior ao dos similares norte-americanos. Embora tenham características mecânicas e visuais parecidas, por serem globais, os modelos abaixo de R$ 100 mil costumam ser mais equipados nos EUA, principalmente com relação a itens de segurança. E foi impossível encontrar carros considerados "básicos" ou "de entrada" próximos nos dois mercados.

Honda HR-V: preço no Brasil e nos EUA (atualizado em 31/08/15) (Foto: Divulgação)
Por exemplo, o Ford Fiesta Hatch mais simples no Brasil tem motor 1.5 e 2 airbags exigidos por lei. O "básico" dos EUA possui motor 1.6 e 7 airbags, um nível de proteção que não está disponível nem na versão brasileira mais cara do modelo. Para deixar os modelos mais próximos, na comparação do Fiesta foi utilizada a versão básica dos EUA, chamada S, e a intermediária do Brasil (SE 1.6), ambas com câmbio manual.
Além da diferença de equipamentos, o consultor especialista no setor automotivo Milad Neto, da consultoria Jato Dynamics, especialista no setor automotivo, destaca que carros iguais podem competir em segmentos diferentes em cada país.
É o caso do Corolla, que tem visual um pouco diferente nos EUA (o Brasil adotou o design europeu) e é considerado um sedã compacto no mercado americano, mas é colocado num nível acima (sedã médio) no Brasil.
Toyota Corolla: preço no Brasil e nos EUA (atualizado em 31/08/15) (Foto: Divulgação)
Tendência é preço subir
Segundo os especialistas consultados, a equiparação de preços em dólar não deve se manter por muito tempo, já que a valorização da moeda americana influencia matérias-primas de carros nacionais e também encarece as peças importadas que entram na montagem de veículos produzidos localmente. O repasse provavelmente não aconteceu ainda porque as vendas estão em baixa no mercado brasileiro.

Esse preço tende a subir no Brasil nos próximos meses, até porque boa parte dos componentes dos carros são importados"
Emerson Marçal, da FGV-SP
“Esse preço tende a subir no Brasil nos próximos meses, até porque boa parte dos componentes dos carros são importados. Isso ainda não é repassado totalmente, talvez seja mais lento agora porque pega a indústria automobilística está num momento complicado. Em havendo uma normalização desses fatores, a tendência é o preço (do carro no Brasil) voltar a subir", aponta Marçal, da FGV-SP.
Pelo IPCA, a inflação oficial, o preço do carro novo subiu 4,69% no primeiro semestre no Brasil, na comparação com o mesmo período de 2014.
Nissan Versa: preço no Brasil e nos EUA (atualizado em 31/08/15) (Foto: Divulgação)
Não são só impostos
Os impostos também pesam na formação do preço no Brasil, sobretudo no caso dos importados, com a incidência da alíquota de 35% e o "superIPI" - um aumento de 35 pontos percentuais no Imposto sobre Produtos Industrializados para modelos que vêm de outros países que não os do Mercosul e o México.

Um estudo feito em 2014 pela associação das montadoras, a Anfavea, apontou que a carga tributária representa 28% de um carro flex com motor 1.0 a 2.0 no Brasil, enquanto, para um similar nos EUA, ela fica em torno de 7%.
Segundo João Eloi Olenike, presidente-executivo do Instituto Brasileiro de Planejamento de Tributação (IBPT), um Corolla 2.0 deve quase 40% do seu preço aos impostos. E muitas pessoas não sabem esse dado, mas uma lei regulamentada no ano passado obriga as lojas a dar o percentual dos impostos que incidem sobre o carro, de acordo com cada esfera: federal, estadual e municipal. "Lá nos EUA eles tributam menos o consumo e mais a renda, lucros e patrimônio", diz Olenike.
A tributação é muito mais baixa lá (nos EUA), porém o preço no Brasil é alto também porque há uma demanda forte. Se você tem demanda, pratica o preço que quiser, continua subindo até o consumidor chegar no limite"
Milad Neto, da Jato Dynamics
Assim, o Jeep Cherokee, que foi alvo de reportagem da revista "Forbes" em 2012, criticando os preços dos carros no Brasil, continua bem mais caro aqui, mesmo na comparação com dólar alto.
Não se pode culpar apenas os impostos pelo preço alto dos carros no Brasil, adverte Milad Neto. “A tributação é muito mais baixa lá (nos EUA), porém o preço no Brasil é alto também porque há uma demanda forte. Se você tem demanda, pratica o preço que quiser, continua subindo até o consumidor chegar no limite”, ressalta o consultor.
Um estudo do sindicato dos fabricantes de autopeças, o Sindipeças, divulgado em 2012, diz que a margem de lucro das montadoras no Brasil é de 10% sobre o valor ao consumidor, enquanto a média mundial é de 5% e, nos EUA, o segundo maior mercado de veículos do mundo, é de 3%.
Jeep Grand Cherokee: preço no Brasil e nos EUA (em 31/08/2015)- VALE ESTE (Foto: Divulgação)
Mercado de luxo
Enquanto alguns veículos abaixo de R$ 100 mil aparecem com preços mais próximos nos dois mercados, o mesmo não ocorre no segmento de luxo, que gera uma margem de lucro bem maior para as fabricantes. Um ponto a ser lembrado é que, nos EUA, essa margem pode ser reduzida sem significar ganhos menores, porque a quantidade de vendas é superior.

BMW X3: preço no Brasil e nos EUA (atualizado em 31/08/15) (Foto: Divulgação)
Até pouco tempo atrás, os modelos de luxo eram todos importados ao Brasil, e precisavam passar por uma adaptação ao mercado nacional. Isto vem mudando, com a instalação de novas fábricas, como a da BMW, mas os preços continuam no mesmo patamar.
“(Isso ocorre porque) Precisa passar por uma reengenharia, com especificações para atender o mercado brasileiro, relativas a suspensão, curvas de potência e torque para nossa gasolina, por exemplo. É um retrabalho, mas não ensejaria numa alteração tão grande nos valores. Tem sim uma demanda muito forte. O brasileiro ainda utiliza o veículo como algo que significa status”, explica Milad.
Porsche Cayenne: preço no Brasil e nos EUA (atualizado em 31/08/15) (Foto: Divulgação)

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