POR Arnold Coelho Jornalista MTB 0006446/BA
Que já há algum tempo não somos o país do futebol, todo mundo sabe, e os números não mentem. Carregamos um jejum de 24 anos sem levantar a taça. Olhando para o nosso material humano em campo e para a forma como estamos jogando, parecemos um time pequeno que entrega a bola ao adversário e espera por uma falha deles ou por um lampejo individual dos nossos jogadores.
Esta Copa nos resumiu a um Paraguai piorado: uma equipe sem alma, sem cacoete para defender e sem saber sofrer. Perdemos o nosso DNA ofensivo, a nossa irreverência e, para completar, contratamos um técnico europeu que não gosta de jogar com a bola. O treinador é reativo, montou mal o grupo e, durante a competição, percebeu que algumas peças simplesmente não serviam, tanto que deixou de utilizá-las. Sabe quando você compra uma roupa barata, chega em casa e pensa: "Gostei, não"? A roupa fica esquecida no guarda-roupa. Foi exatamente isso que aconteceu com alguns jogadores nesta Copa.
É importante dizer que a convocação foi um equívoco quase completo. Já não temos bons laterais e, ainda assim, levamos os mais velhos e fora de forma. Temos dois bons centroavantes, Pedro e João Pedro, mas o mister resolveu apostar em jogadores que nunca corresponderam com a camisa amarelinha. Levamos um ex-jogador em atividade para vestir a camisa 10 por pressão popular, um goleiro que não transmite confiança, um meio campo lento e ainda sofremos com as contusões que deixaram de fora Rodrygo, Estevão e Wesley.
Somando tudo isso, a Seleção viveu um ciclo conturbado, trocando de técnicos como quem troca de roupa. Também é bom lembrar que só chegamos a esta Copa porque o número de participantes aumentou de 32 para 48 seleções, o que facilitou a classificação. Enquanto isso, seleções sul-americanas como Argentina, Colômbia, Paraguai e Equador mostram-se nitidamente melhores e mais organizadas do que a nossa Seleção Canarinho.
E, antes que alguém diga que temos a liga mais forte das Américas, vale lembrar que os grandes craques e protagonistas do Campeonato Brasileiro, em sua maioria, não são brasileiros. Hoje, qualquer clube da Série B tem pelo menos um jogador estrangeiro. Se Liga forte fosse garantia de título mundial, a Inglaterra não amargaria mais de 60 anos sem conquistar uma Copa do Mundo.
Agora, resta esperar mais quatro anos e acreditar em um novo ciclo. É o que nos resta. Ou, quem sabe, fazer como a França e formar uma seleção com atletas de origem africana.
*Arnold Coelho*
Não sofro mais pela seleção canarinho

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