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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Heróis não morrem

José Adervan  1943/2017

Por Arnold Coelho

Um dia, em um passado não tão distante, em uma redação de jornal, um amigo meu chegou triste e me disse a seguinte frase: "você descobre que está ficando velho quando começa a ir ao velório dos amigos". Na hora ouvi e não dei muita atenção para aquele momento de desabafo e tristeza. Hoje entendo que a preocupação do meu amigo Antonio Lopes não era com o fato de 'estar ficando velho' e sim, com a perda dos amigos que começam a partir com o passar do tempo.

Nessa mesma redação do Jornal Agora eu aprendi muitas outras experiências de vida. Literalmente me formei na universidade da vida ao lado de tantos amigos intelectuais. Sou um cara de pouca escolaridade. Entrei pouco em uma sala de aula, pois desde cedo minha vida foi sempre voltada para trabalhar e o trabalho me levou até os meus heróis. Isso mesmo, HERÓIS, e no plural. Tenho alguns heróis e hoje vou falar um pouco de um dos meus favoritos: José Adervan ou ADERVAN.

ADERVAN nunca gostou de capas ou máscaras, sempre foi muito verdadeiro e enfrentou todas as adversidades sem precisar usar antídotos ou armaduras poderosas. Na verdade o seu maior poder sempre esteve no sorriso farto, longas conversas, acompanhadas sempre de uma boa história - ô cabra bom de conversa! Você chegava soltando fumaça de raiva na sala dele e saia revigorado, acreditando sempre que as coisas iriam melhorar. Esse era, sem dúvida, o seu maior poder: o OTIMISMO. Adervan era muito OTIMISTA. Sempre via uma luz no fim do túnel.

Lembro até hoje o meu primeiro contato com meu Herói Adervan: estava eu prestes a fazer 20 anos, desempregado e com a mulher de 'barriga'. Nunca tinha entrado em uma gráfica e muito menos em uma redação de jornal. Foi quando um outro herói (como disse no início do texto, tenho alguns heróis) me apresentou para Adervan e ele, com a sua visão de Raio X, me olhou profundamente e percebeu que eu precisava trabalhar. ADERVAN imediatamente começou a descarregar dos seus olhos rajadas de GENEROSIDADE (outro poder que esse herói carregava com ele) e eu por mais de 20 anos trabalhei em sua empresa.

Quando cheguei ao jornal AGORA eu já sabia layoutar e lá aprendi a diagramar livros, jornais e revista e me tornei chefe do setor. Esse PODER de ser 'chefe' foi me dado por ele. ADERVAN também passava poder às pessoas próximas, mesmo avisando ser desnecessário usar certos poderes. ADERVAN sempre foi o CHEFE e nunca usou esse poder; sempre pediu, nunca mandou; era AMIGO de todos e aprendi isso com ele: ser amigo e nunca chefe.

Um dia perguntei para ADERVAN o que precisava fazer para poder escrever e ele, na sua imensa SIMPLICIDADE - outro poder que ele carregava - me disse: para escrever você precisa primeiro aprender a ler. Leia de tudo, quanto mais você ler, mais você vai escrever. Desde então tenho tentado ler e hoje consigo tropeçar nas palavras para poder homenagear um dos meus HERÓIS que partiu para uma outra dimensão, deixando esse meu pequeno planeta órfão de mais um HERÓI.

Nessa pequena história eu queria dar o nome ao meu herói de PAI, mas não tive esse privilégio de ter sido teu filho, por isso o nome desse meu HERÓI se chama AMIGO.


Obrigado por ter dado um rumo à minha vida, meu AMIGO ADERVAN!

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